No dia de ontem foi publicado em vários Orgãos de Comunicação Social as intenções de um Ministro, o qual manifestava a ideia de redução no número de Deputados na Assembleia da Republica. Ideia apoiada em primeira instância pelo maior partido da oposição. Até aqui só elogios. Infelizmente foi sol de pouca dura...
Assim como apareceram estas vontades positivas imediatamente surgiram os "prejudicados" dizendo de sua justiça. O partido com maior exposição parlamentar afirmou logo que essa não era a posição oficial da sua facção partidária, os partidos pequenos com medo de uma menor representação futura, talvez deslumbrando a própria extinção, manifestaram-se contra. Contudo a questão é simples. Os menores partidos vivem essencialmente dos seus lideres e de muito poucas outras figuras, o voto popular está na sua essência concentrado nas figuras de proa. Tratam-se praticamente de partidos uni-pessoais e assim deve ser a sua representação, escassa.
Nas últimas eleições Presidenciais tal força ficou perfeitamente expressa. A abstenção obteve valores recordes de 52% do universo de todos os eleitores. Significa que mesmo o actual Presidente foi votado na realidade apenas por um quarto dos eleitores portugueses. Esta é a prova da maior vontade de mudança dos portugueses que os partidos políticos tendem a esconder. Só o número de votos em branco ou nulos teve uma votação ligeiramente inferior ao 7% obtidos pelo Partido Comunista. Proponho por ser sensato que pelos menos nas futuras eleições legislativas que os votos em branco ou nulos tenham eles também representação parlamentar. Isto é a redução óbvia do número de deputados.